
Reprodução/TV Justiça
A sessão desta quarta-feira (3/9) da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga a ação penal sobre a suposta trama golpista atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros sete acusados, teve momentos de descontração inesperada. O advogado Andrew Fernandes Farias, responsável pela defesa do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, utilizou exemplos inusitados em sua sustentação oral, arrancando risadas dos ministros.
Ao tratar do chamado plano Punhal Verde e Amarelo, o jurista trouxe uma referência pessoal, mencionando um ensinamento de sua sogra. “Às vezes, as palavras são como punhal, machucam, doem”, disse o advogado, ao justificar a lembrança familiar. A fala foi rapidamente acompanhada por comentários bem-humorados dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que entraram na brincadeira durante o diálogo.
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A cena ganhou novo tom de leveza quando o celular do advogado tocou no final da apresentação. Dino aproveitou a ocasião para brincar: “Não esqueça de atender, deve ser sua sogra”. A observação arrancou novas risadas no plenário, marcado por discussões intensas ao longo do julgamento.
Além da menção pessoal, Farias também buscou na literatura um recurso para reforçar sua argumentação. Ele citou um diálogo da obra Alice através do espelho, de Lewis Carroll, entre Alice e Humpty Dumpty, o personagem conhecido como o “ovo falante”. A referência foi usada para discutir a interpretação das palavras e como elas podem ganhar diferentes sentidos conforme a condução do discurso.
Apesar dos momentos descontraídos, a defesa manteve o foco em negar a participação de Paulo Sérgio Nogueira nos fatos atribuídos pelo Ministério Público. O advogado afirmou que a acusação não apresenta elementos que comprovem o envolvimento do ex-ministro na suposta tentativa de golpe.
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O julgamento, que envolve oito réus ligados ao chamado núcleo central da Ação Penal nº 2.668, prossegue na Primeira Turma do STF. Cada defesa dispõe de até uma hora para expor seus argumentos, antes do voto dos ministros que irão avaliar as provas, delações e documentos relacionados ao caso.