Defesa de Braga Netto atacou delação de Mauro Cid e pediu anulação do processo no STF

Durante a sustentação, Juca também apontou contradições nos depoimentos do ex-ajudante de ordens.

Nesta quarta-feira (3/9) durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta trama golpista, a defesa do general Walter Souza Braga Netto solicitou a anulação da ação penal, levantando dúvidas quanto à validade da delação premiada firmada entre a Polícia Federal (PF) e o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid.

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O advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima, conhecido como Juca, argumentou que houve falhas de transparência no processo, especialmente no episódio da acareação entre Cid e Braga Netto. Segundo ele, ao contrário de outros atos que foram gravados e divulgados, esse encontro não foi registrado, o que impediria a análise completa pelos ministros da Corte.

“Todos os atos processuais foram públicos, foram gravados. Por que a acareação não foi registrada? Qual a justificativa legal para isso? Não existe”, afirmou o advogado, ao criticar a decisão. Ele acrescentou que, sem o registro, não foi possível mostrar a reação de Mauro Cid ao ser confrontado diretamente pelo general.

Durante a sustentação, Juca também apontou contradições nos depoimentos do ex-ajudante de ordens. Ele destacou que Cid só teria mencionado, mais de um ano após o início do acordo de colaboração, a alegação de que Braga Netto teria entregado dinheiro para financiar uma tentativa de golpe. Para o advogado, essa omissão fragiliza a credibilidade do depoimento.

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“Não estamos tratando de um objeto qualquer, mas de uma acusação grave sobre repasse de dinheiro para um golpe de Estado. É inadmissível que um ponto dessa relevância tenha sido ‘esquecido’ e só lembrado depois”, ressaltou.

Por fim, o defensor classificou Mauro Cid como “irresponsável” e reiterou que a prisão de Braga Netto se baseia em uma delação que, em sua avaliação, não reúne elementos sólidos. A Primeira Turma do STF ainda seguirá com os debates antes de decidir sobre os pedidos da defesa.

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