
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR
Durante o julgamento da chamada trama golpista na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (2), a ministra Cármen Lúcia fez um esclarecimento ao advogado do deputado Alexandre Ramagem, Paulo Cintra, sobre a diferença entre voto auditável e voto impresso. O tema ganhou destaque após Cintra se referir aos dois termos como se fossem sinônimos.
Cármen Lúcia destacou que, embora ambos se relacionem à fiscalização do processo eleitoral, não podem ser confundidos. “O processo eleitoral no Brasil é amplamente auditável. Uma coisa é a eleição com processo auditável, outra coisa é o voto impresso”, afirmou a ministra, ressaltando que o uso incorreto das expressões poderia transmitir ideia equivocada ao público sobre a segurança das urnas eletrônicas.
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O advogado Cintra defendeu Ramagem, alegando que a defesa do voto impresso havia sido mencionada por alguns investigados da trama golpista e que, no contexto da investigação, os termos foram utilizados de maneira intercambiável. No entanto, a ministra reforçou que a distinção é essencial para garantir a compreensão correta do sistema eleitoral brasileiro.
Além disso, Cármen Lúcia destacou que o voto impresso envolve questões relacionadas ao sigilo do voto, à transparência e à lisura do processo, enquanto o voto auditável se refere à capacidade de acompanhar e conferir a apuração dos resultados sem comprometer a confidencialidade do eleitor.
Durante a sustentação oral, o defensor também questionou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando que a acusação de organização criminosa não considerou o mandato de deputado de Ramagem e que o relatório final da Polícia Federal continha informações que não foram objeto de contraditório. Segundo ele, alguns arquivos digitais encontrados seriam apenas anotações pessoais do parlamentar, sem caráter probatório.
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A ministra Cármen Lúcia encerrou sua intervenção reforçando que é fundamental diferenciar os conceitos de voto auditável e impresso para assegurar clareza no debate público sobre eleições e proteger a confiança no sistema eleitoral brasileiro.