Marcelo Ramos quer abrir impeachment de Bolsonaro na ausência de Arthur Lira da Câmara dos Deputados

O deputado entrou em uma briga pública com Bolsonaro no último mês após ser responsabilizado pela aprovação do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões.

 

Portal Soberano

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O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara dos Deputados, tem consultado juristas para avaliar a possibilidade de abrir um impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no caso de assumir a presidência iterina da Casa Legislativa. O parlamentar era militante do PCdoB e foi secretário no governo Lula.

O parlamentar entrou em uma briga pública com Bolsonaro no último mês após ser responsabilizado pela aprovação do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. Entre réplicas e tréplicas os dois estão em pé de guerra.

“Para mim, é muito claro de que no exercício provisório da presidência de uma sessão – ou seja, o presidente Arthur Lira está no Brasil, está no cargo de presidente, mas eu estou presidindo a sessão – não cabe a leitura do processo de impeachment. Agora, no caso de viagem do presidente Arthur Lira para o exterior ou no caso de ele assumir a Presidência da República por saída do presidente e do vice, aí eu não sou o presidente da sessão; aí eu sou o presidente da Câmara em exercício. Eu tenho consultado juristas e também líderes políticos para avaliar se nessa condição de presidente em exercício caberia a leitura do processo de impeachment. Ainda não tenho convicção sobre isso”, disse o deputado ao site Gazeta do Povo.

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Pela legislação brasileira, o primeiro passo de um impeachment é, obrigatoriamente, dado pelo presidente da Câmara, e corresponde à aceitação de um pedido de afastamento.

Para Ramos, Bolsonaro comete crime de responsabilidade ao colocar em dúvida a realização das eleições do ano que vem, o que faz ao acusar sem provas a existência de fraudes nas urnas eletrônicas.

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O deputado reconhece que, hoje, a Câmara não daria votos para um impeachment, mas avalia que “existe um ‘delayzinho’ [atraso] entre as ruas e o parlamento”.

“Eu acho que não há votos para o impeachment. Primeiro, porque o presidente ainda tem certo apoio popular. Cada vez menor; mas ainda tem. E segundo, porque o presidente fez uma opção de construir uma base pela distribuição de recursos e emendas. Mas eu sempre digo o seguinte: a temperatura na rua está esquentando. E sempre tem um “delay” [atraso] em relação ao parlamento. Quando a rua está quente, o parlamento está morno. Quando a rua ferve, o parlamento esquenta. Tem um “delayzinho”. Eu acho que a oposição ao presidente tem crescido muito”, declarou.

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Questionado sobre as eleições do ano que vem, Ramos afirmou que pretende concorrer a releição mas não descarta outras possibilidades.

*Com informações do Portal AM Post