Execução do ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em Praia Grande levanta hipóteses de vingança ligada ao PCC

Relatórios já apontavam que ele era jurado de morte por integrantes da facção criminosa desde 2006.

Foto: Prefeitura de Praia Grande e Reprodução

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, foi executado a tiros na noite desta segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral do estado. A vítima, que ocupava o cargo de secretário de Administração municipal desde 2023, teve trajetória marcada pelo combate ao crime organizado e pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O crime ocorreu na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim, após uma perseguição. Segundo imagens de câmeras de segurança, o carro do ex-delegado foi atingido e capotou. Na sequência, homens armados com fuzis desceram de outro veículo e dispararam diversas vezes contra Fontes, que morreu no local antes da chegada do resgate.

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Testemunhas relataram cenas de pânico, com pedestres e motociclistas correndo para se proteger dos disparos. De acordo com a Polícia Civil, os criminosos efetuaram mais de 20 tiros, deixando vestígios de munições e carregadores de fuzil. Um homem e uma mulher que passavam pelo local também foram atingidos, mas não correm risco de morte.

Ruy Ferraz Fontes teve mais de quatro décadas de carreira na Polícia Civil, passando por departamentos estratégicos como o Deic, Denarc e DHPP. Foi um dos pioneiros nas investigações contra o PCC no início dos anos 2000 e chegou a indiciar o líder da facção, Marcola. Entre 2019 e 2022, comandou a Polícia Civil paulista, sendo responsável pela transferência de chefes do crime organizado para presídios federais.

A polícia trabalha com duas principais linhas de investigação: vingança em razão da trajetória do delegado no enfrentamento ao PCC e possível reação a sua atuação recente na gestão pública de Praia Grande. Relatórios já apontavam que ele era jurado de morte por integrantes da facção criminosa desde 2006.

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O governador Tarcísio de Freitas determinou a criação de uma força-tarefa para identificar e prender os responsáveis. Veículos usados no crime foram encontrados incendiados e com munições na região. Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar seguem em diligências contínuas, enquanto a repercussão do caso expõe novamente o poder de articulação do crime organizado no país.