
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados e Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Presa na Itália, a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) participou nesta quarta-feira (10/9), por videoconferência, de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A sessão marcou o início da análise do processo que pode confirmar a perda do mandato da parlamentar, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a audiência, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto, também condenado pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), trocaram acusações. A deputada questionou a versão apresentada por Delgatti e levantou dúvidas sobre sua sanidade, mencionando inclusive o uso de medicamentos por ele para tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
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Delgatti afirmou que Zambelli teria determinado a execução dos crimes e que ele chegou a se hospedar na residência da parlamentar em Brasília durante a invasão. Em resposta, Zambelli classificou o hacker como “mitomaníaco” e alegou que o processo se baseia em relatos não confirmados, negando qualquer envolvimento direto nos atos ilícitos.
A parlamentar deixou o Brasil em maio, após a condenação definitiva pelo STF, e foi incluída na lista de procurados da Interpol. Em julho, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde aguarda decisão sobre o pedido de extradição. Ela obteve autorização da Justiça italiana para participar da audiência e questionar tanto Delgatti quanto uma testemunha técnica da defesa.
O processo de cassação de Zambelli segue o trâmite da Câmara: começa na CCJ, onde um relator analisará o caso, e depois o parecer será submetido ao plenário. Para que a perda do mandato seja confirmada, é necessária a aprovação de ao menos 257 deputados, equivalente à maioria absoluta da Casa.
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A deputada está licenciada do cargo há 127 dias, desde antes da decisão do ministro Alexandre de Moraes que decretou sua prisão preventiva. O período de licença se estenderá até 2 de outubro de 2025, enquanto o processo de cassação é analisado e segue para votação no plenário.