Caso Benício: Polícia confirma prints em que médica admite erro após dose fatal de adrenalina em Manaus

Os prints, que começaram a circular nas redes sociais no fim de semana, mostram ainda que a médica enviou fotos do monitor cardíaco do paciente enquanto tentava solicitar um leito de UTI.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil do Amazonas confirmou, nesta segunda-feira (1º), a autenticidade dos prints atribuídos à médica Juliana Brasil Santos, envolvida no atendimento do menino Benício Xavier, de 6 anos, que morreu após receber uma dose incorreta de adrenalina em um hospital particular de Manaus. Nas mensagens, ela admite ter errado a prescrição e pede ajuda a um colega, em meio ao agravamento súbito do quadro da criança.

Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, o médico Enryko Garcia de Carvalho confirmou, em depoimento, que as mensagens são verdadeiras e que foram trocadas no momento em que Benício apresentava piora. Em um dos trechos, Juliana escreve: “Pelo amor de Deus, eu errei a prescrição. Me ajuda”, evidenciando o desespero diante da consequência do erro.

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Os prints, que começaram a circular nas redes sociais no fim de semana, mostram ainda que a médica enviou fotos do monitor cardíaco do paciente enquanto tentava solicitar um leito de UTI. Ela relata estar em “desespero”, enquanto o colega tenta orientá-la sobre os procedimentos. A equipe médica envolvida no caso já havia sido afastada pelo hospital antes mesmo da confirmação das mensagens.

Antes disso, Juliana já havia reconhecido o erro em um relatório interno enviado pelo Hospital Santa Júlia à Polícia Civil. No documento, ela afirmou que a medicação deveria ter sido administrada por via oral, e não intravenosa. A técnica de enfermagem que aplicou a dose relatou que apenas seguiu a prescrição registrada no sistema, sem questionar a ordem médica.

A investigação da Polícia Civil aponta que Benício recebeu três doses de adrenalina na veia, cada uma de 3 ml, durante atendimento realizado entre 23 e 24 de novembro. Após a administração, a criança apresentou palidez, queimação no peito, baixa saturação e, horas depois, sofreu seis paradas cardíacas até falecer às 2h55 do dia 23. O caso é tratado como homicídio doloso qualificado pela crueldade.

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O Ministério Público do Amazonas acompanha o inquérito, que segue reunindo depoimentos e documentos técnicos. Apesar de o delegado ter solicitado a prisão preventiva da médica, a Justiça concedeu habeas corpus preventivo e determinou que ela responda ao processo em liberdade. Uma acareação entre a médica e a técnica de enfermagem está marcada para esta quinta-feira (4), para esclarecer divergências entre as versões apresentadas.