Caso Benício: Delegado aponta negligência, relata falta de urgência em atendimento e reforça linha de investigação

O delegado classificou o caso como homicídio doloso qualificado pela crueldade, sustentando a hipótese de dolo eventual.

O delegado Marcelo Martins, da Polícia Civil do Amazonas, afirmou nesta sexta-feira (28) que a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, foi provocada por uma overdose de adrenalina administrada de forma incorreta no Hospital Santa Júlia. Segundo ele, a dose aplicada seria aproximadamente 30 vezes maior que a recomendada para uma criança da idade de Benício, e o medicamento teria sido entregue por via intravenosa, quando o protocolo adequado para o quadro da criança indicaria uso por nebulização.

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De acordo com Martins, depoimentos de profissionais envolvidos no atendimento reforçam que houve divergência significativa em relação aos procedimentos médicos previstos. O delegado explicou que, após a aplicação da adrenalina, Benício apresentou piora imediata, sofreu repetidas paradas cardíacas  ao menos seis e não resistiu, evoluindo para óbito na madrugada de domingo (24). Esses elementos, segundo ele, consolidam a principal linha de investigação da Polícia Civil.

O delegado classificou o caso como homicídio doloso qualificado pela crueldade, sustentando a hipótese de dolo eventual. A avaliação se baseia não apenas na suposta prescrição inadequada, mas também no relato de testemunhas sobre a conduta da médica responsável. Um dos depoimentos, de um pai que estava no setor pediátrico, indica que a profissional teria demorado a se levantar para verificar o estado da criança mesmo após ser acionada pela técnica de enfermagem.

Em contraponto, a defesa da médica Juliana Brasil Santos nega qualquer indiferença ou negligência. Segundo os advogados, a profissional agiu imediatamente ao perceber a reação adversa e chegou a solicitar um antídoto afirmação contestada pelo delegado. Martins informou que médicos experientes ouvidos no inquérito declararam que não existe medicação capaz de reverter uma overdose de adrenalina, apenas suporte clínico e manobras de estabilização.

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A Polícia Civil também se manifestou sobre o pedido de prisão preventiva da médica, que foi negado pela Justiça, com concessão de habeas corpus para que ela responda em liberdade. Martins afirmou que considera a decisão preocupante, pois, na visão dele, o erro apontado “oferece risco à sociedade”. Ele ressaltou que profissionais da saúde lidam com vidas diariamente e que falhas graves, como a denunciada, podem se repetir em outros atendimentos.

As investigações continuam com a análise de documentos, depoimentos, registros internos e imagens de câmeras do Hospital Santa Júlia. O estabelecimento afirmou que abriu procedimento administrativo e afastou as duas profissionais envolvidas a médica e a técnica de enfermagem até que todas as apurações sejam concluídas. O delegado informou que pretende encerrar o inquérito dentro do prazo de 30 dias.

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