Caso Benício: após depoimento, técnica de enfermagem afirma que estava sem suporte, seguiu a prescrição e que médica “buscava culpados”

A médica e a técnica de enfermagem foram afastadas das atividades, e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas abriu procedimento para apurar eventuais falhas.

A técnica de enfermagem Raissa Bentes prestou depoimento nesta sexta-feira (28) sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida após a aplicação de adrenalina por via intravenosa em um hospital particular de Manaus. Formada há sete meses, ela relatou ter atuado sozinha durante o atendimento inicial e afirmou ter seguido exatamente a prescrição emitida pela médica responsável pelo caso. A profissional reforçou que avisou a mãe da criança antes de administrar o medicamento.

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Durante a entrevista concedida após o depoimento, Raissa declarou que a médica Jéssica Brasil teria “procurado culpados” ao chegar à pediatria, chegando a questionar a mãe do menino sobre uma suposta orientação para nebulização. Segundo a técnica, nenhum procedimento fora da prescrição poderia ser realizado, e a prescrição registrada indicava apenas a administração de adrenalina intravenosa, em doses repetidas e sem diluição.

A técnica também descreveu as reações apresentadas por Benício após a primeira aplicação, afirmando que a criança ficou pálida, relatou sensação de “coração queimando” e apresentou dificuldade respiratória. Ela disse ter acionado a equipe de enfermagem para auxílio e comunicado imediatamente a médica, que, segundo seu relato, não demonstrou urgência ao ser informada da piora do paciente.

Segundo a Polícia Civil, documentos e depoimentos incluídos no inquérito indicam que Benício sofreu ao menos seis paradas cardíacas antes de morrer. O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia, afirmou que a investigação apura o caso como homicídio doloso qualificado pela crueldade, citando overdose de adrenalina como causa do agravamento do quadro clínico da criança.

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A defesa da médica nega qualquer conduta irregular e afirma que ela agiu prontamente, chegando a solicitar um antídoto — possibilidade descartada por outros profissionais ouvidos no inquérito, que ressaltaram que não existe medicação capaz de reverter uma overdose de adrenalina. A médica e a técnica de enfermagem foram afastadas das atividades, e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas abriu procedimento para apurar eventuais falhas.

O hospital informou, em nota, que instaurou investigação interna por meio da Comissão de Óbito e Segurança do Paciente e mantém colaboração com as autoridades. A Justiça decidiu que a médica responderá às investigações em liberdade, após concessão de habeas corpus preventivo. A Polícia Civil segue apurando o caso e mantém parte das informações sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações.

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