Lula diz que PF deve investigar mortes em megaoperação no Rio de Janeiro: ‘A ordem era de prisão, não de matança’

Segundo ele, o objetivo é garantir transparência e independência na apuração dos fatos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (4/11), que a Polícia Federal deve participar das investigações sobre as mortes ocorridas durante a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A ação, que terminou com 121 pessoas mortas, foi classificada por Lula como uma “matança” e, segundo ele, deve ser apurada com rigor.

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Durante entrevista a jornalistas estrangeiros em Belém (PA), onde cumpre agenda antes do início da COP30, o presidente disse que o governo federal estuda a possibilidade de incluir peritos da Polícia Federal no processo de apuração. “Estamos avaliando se é possível que os legistas da PF participem das perícias para entender o que realmente aconteceu, porque há muitas versões. Algumas pessoas foram enterradas sem perícia de outro órgão”, declarou.

Lula destacou que, de acordo com informações preliminares, a operação tinha como objetivo o cumprimento de mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, mas teria resultado em um número de mortes incompatível com o que foi determinado pela Justiça. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não de matança. E houve matança. É importante investigar em que condições isso ocorreu”, disse.

O presidente ressaltou ainda que a investigação deve ser conduzida de forma conjunta entre a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal (MPF). Segundo ele, o objetivo é garantir transparência e independência na apuração dos fatos. “Precisamos entender se tudo aconteceu conforme relatado pelas forças de segurança do estado ou se houve excessos”, afirmou.

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Lula também criticou o resultado da operação sob o ponto de vista da atuação estatal. “Do ponto de vista da quantidade de mortos, alguns podem considerar um sucesso. Mas, do ponto de vista da ação do Estado, foi desastrosa”, avaliou. Ele reforçou que o governo federal está comprometido em fortalecer a segurança pública com base no respeito aos direitos humanos e na responsabilização de eventuais abusos.

O Ministério da Justiça enviou, na última quinta-feira (30/10), vinte peritos da PF ao Rio de Janeiro para auxiliar nos trabalhos periciais. Os profissionais atuarão na análise de balística, genética forense, medicina legal e identificação de corpos. A megaoperação, uma das mais letais da história recente do país, segue sob investigação.

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Confira o vídeo: