Lula destaca autonomia do Judiciário e afirma: “A legislação vale para todos no Brasil”

A afirmação do presidente foi uma resposta indireta à carta enviada pelo presidente Donald Trump, na qual ele sugere que o processo contra Bolsonaro seja encerrado.

Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o sistema de Justiça brasileiro atua de forma independente e não está sujeito a interferência do governo federal. A fala ocorreu em meio às críticas dos Estados Unidos ao processo judicial que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. “No Brasil, a legislação é aplicada de maneira igualitária a todos”, declarou Lula.

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A afirmação do presidente foi uma resposta indireta à carta enviada pelo presidente Donald Trump, na qual ele sugere que o processo contra Bolsonaro seja encerrado. Lula explicou que as investigações e denúncias em andamento são de responsabilidade da Procuradoria-Geral da República e se baseiam em depoimentos de aliados e ex-integrantes do governo anterior. O presidente reiterou que o Executivo não tem controle sobre o curso dessas ações.

Lula também destacou que a Constituição brasileira assegura a separação entre os Três Poderes e que não cabe ao governo federal interferir nas decisões do Supremo Tribunal Federal. “Talvez o presidente Trump desconheça que, no Brasil, Judiciário, Legislativo e Executivo funcionam de forma autônoma”, afirmou. Segundo ele, qualquer tentativa de intervenção comprometeria a credibilidade das instituições.

Durante a entrevista, Lula apontou que Bolsonaro tem direito à ampla defesa e que o julgamento segue os trâmites legais estabelecidos. O presidente também comentou que pressões externas não devem influenciar o andamento do caso. “A Justiça precisa seguir seu curso com isenção, sem influência de disputas políticas ou interesses internacionais”, completou.

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As declarações foram feitas em um contexto de crescente tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o governo Trump impor novas tarifas a produtos brasileiros e suspender vistos de ministros do STF. Apesar do clima de instabilidade, Lula reiterou estar aberto ao diálogo, mas afirmou que os canais de comunicação ainda não foram reestabelecidos.