
Crédito: Gustavo Moreno/STF
Militares acusados de integrar o chamado “núcleo 3” da tentativa de golpe de Estado participaram, nesta segunda-feira (28), de uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) trajando fardas militares. A sessão, realizada por videoconferência, faz parte do julgamento de dez réus nove das Forças Armadas e um da Polícia Federal suspeitos de articular ações para manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
Ainda no início da audiência, o ministro Alexandre de Moraes determinou que os réus trocassem de roupa, argumentando que o julgamento diz respeito a indivíduos, e não à representação institucional do Exército. A decisão gerou protestos por parte das defesas, que alegaram não terem sido informadas previamente da proibição. Em alguns casos, os réus precisaram se ausentar momentaneamente da videoconferência para conseguir roupas civis emprestadas.
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Durante a sessão, o juiz-auxiliar do STF reforçou que a determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. “Essa é uma ordem do ministro relator. A acusação é contra os militares, não contra a instituição Exército Brasileiro”, afirmou o magistrado ao justificar a exigência de trajes civis durante os interrogatórios.
Entre os envolvidos está o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, preso desde 2024 em uma unidade militar. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele é apontado como um dos organizadores do plano “Copa 2022”, que incluía ações extremas, como sequestros e assassinatos de autoridades, incluindo o próprio Moraes. A defesa alegou que, por estar detido em ambiente militar, era natural que comparecesse fardado, mas o pedido para permanecer com o uniforme foi negado.
A exigência também afetou o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, outro acusado de envolvimento no plano. Os advogados afirmaram que a orientação para trocar de roupa comprometeu a condução da audiência, já que alguns interrogatórios prosseguiram mesmo com os réus temporariamente ausentes. Apesar das críticas, a equipe de Moraes manteve o andamento dos depoimentos. O grupo é acusado de planejar atos violentos contra autoridades do Executivo e do Judiciário, incluindo o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio relator.
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