Jair Bolsonaro volta a criticar STF, nega crimes e diz ser alvo de “caça às bruxas”

O ex-presidente também comentou a nova tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (15), que está sendo alvo de uma “caça às bruxas” no Brasil. A expressão, utilizada inicialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi repetida por Bolsonaro ao comentar as investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele.

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“Trump disse que estão fazendo uma caça às bruxas, e é verdade”, declarou durante o programa CNN Arena. A declaração ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar alegações finais ao STF, pedindo a condenação de Bolsonaro por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

O ex-presidente também comentou a nova tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a responsabilidade por buscar uma solução diplomática cabe ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Quem tem que buscar negociação é o presidente Lula, não sou eu. Em 2019, o Trump queria taxar o aço, eu falei com ele e ele não taxou”, afirmou. Bolsonaro citou ainda o caso da Argentina, dizendo que o presidente Javier Milei conseguiu zerar a tarifa para 80% dos produtos exportados.

Questionado sobre sua situação jurídica, Bolsonaro negou ter cometido qualquer crime e afirmou que não pretende deixar o país. “Vou ser preso por quê? Por destruir o relógio de Brasília? Eu estava nos Estados Unidos. Isso é um crime impossível”, disse. “Não vou fugir. Não cometi crime algum”, completou.

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Entre os outros nomes citados pela PGR no processo estão ex-integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro: os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro Anderson Torres; o deputado Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; e o ex-ajudante de ordens, Mauro Cid. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, os acusados teriam atuado de forma coordenada para tentar romper a ordem democrática.

Durante a entrevista, Bolsonaro também voltou a criticar a política externa do governo Lula e a atuação do Brasil no grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Segundo ele, o país se distanciou dos “valores americanos” e se aproximou de regimes autoritários. “O Brics agora virou uma reuniãozinha de pequenos ditadores. Tem criminosos de guerra do mundo todo”, afirmou.

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Ao comentar as restrições impostas pela Justiça, o ex-presidente ironizou: “Me restitua o passaporte que eu converso. Mas o presidente é o Lula, não sou eu”.