No Senado, Hamilton Mourão diz que processo contra Bolsonaro deve ser resolvido pelo Brasil, sem interferência de Donald Trump

O senador afirmou considerar injusto o processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, no qual Bolsonaro é investigado.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, criticou nesta terça-feira (15) a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o processo judicial que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorreu durante audiência da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, que discute a tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros.

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Durante sua fala, Mourão defendeu a soberania nacional e criticou a interferência estrangeira em temas internos do Brasil. “Da mesma forma que não aceito que o presidente francês Emmanuel Macron, a ativista Greta Thunberg ou o ator Leonardo DiCaprio interfiram em questões brasileiras, também não concordo que Trump venha meter o bedelho em um caso que é interno nosso”, declarou.

O senador afirmou considerar injusto o processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, no qual Bolsonaro é investigado. Ainda assim, Mourão enfatizou que qualquer avaliação sobre o caso deve partir exclusivamente das instituições brasileiras. “Há uma injustiça sendo praticada? Pode haver. Mas compete a nós, brasileiros, resolvermos isso”, disse.

A audiência desta terça-feira também teve como foco os impactos econômicos da tarifa anunciada por Trump. Parlamentares discutiram alternativas diplomáticas para lidar com a medida, que afeta diretamente setores estratégicos da economia, como o agronegócio e a indústria de transformação.

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O Itamaraty foi citado diversas vezes como peça-chave na mediação da crise. Senadores sugeriram que o Brasil busque o diálogo com o governo norte-americano, mas sem abrir mão da autonomia política e institucional.

O debate ocorre em meio ao agravamento das tensões entre os dois países, após Trump relacionar publicamente a tarifa ao processo judicial contra Bolsonaro, o que gerou reações de diferentes correntes políticas no Brasil.

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