Donald Trump impõe tarifa de 50% sobre exportações do Brasil, e Lula afirma que país não aceitará imposições

Além da imposição ao Brasil, Trump anunciou medidas tarifárias semelhantes contra outros países, como Japão, Coreia do Sul, Argélia, Líbia e Filipinas.

(Imagem: Reprodução/Instagram | Ricardo Stuckert/PR)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou oficialmente ao governo brasileiro, na última quarta-feira (9), a decisão de aplicar uma tarifa de 50% sobre todas as exportações do Brasil para o mercado norte-americano. A medida, que entra em vigor no dia 1º de agosto de 2025, será válida independentemente de outras tarifas comerciais já existentes.

Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Trump justificou a decisão com base em alegadas “práticas comerciais injustas” e no déficit da balança comercial dos EUA com o Brasil. Segundo ele, o percentual imposto seria inferior ao necessário para corrigir o desequilíbrio nas relações comerciais entre os dois países. O presidente norte-americano também sugeriu que empresas brasileiras que instalarem produção nos Estados Unidos poderão ser isentas da nova taxação.

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O documento, divulgado também nas redes sociais, traz críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump classificou o julgamento como um caso de “perseguição política” e acusou o Judiciário brasileiro de praticar censura contra plataformas digitais americanas. As alegações, no entanto, não foram acompanhadas de evidências.

Em reação, o presidente Lula divulgou nota oficial reiterando a soberania nacional e destacando que o Brasil não aceitará medidas unilaterais que comprometam sua autonomia institucional. “O Brasil é um país soberano, com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por nenhum outro governo”, afirmou.

Lula também defendeu a atuação da Justiça brasileira no julgamento dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, o processo judicial é conduzido de acordo com a legislação nacional e não admite interferência externa. “Seguiremos firmes na defesa da autonomia do Brasil. Qualquer aumento tarifário imposto de forma unilateral será enfrentado com os instrumentos legais à nossa disposição”, disse o presidente.

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A nota também contestou os argumentos econômicos apresentados por Trump, negando a existência de um desequilíbrio comercial significativo em favor do Brasil. O governo reforçou ainda que todas as empresas que atuam em território brasileiro, sejam nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às leis do país, incluindo aquelas que regulam a liberdade de expressão e combatem o discurso de ódio.

Além da imposição ao Brasil, Trump anunciou medidas tarifárias semelhantes contra outros países, como Japão, Coreia do Sul, Argélia, Líbia e Filipinas. As ações fazem parte da política comercial de “tarifas recíprocas”, adotada por seu governo como forma de proteção à indústria e ao mercado de trabalho dos EUA.

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O governo norte-americano também informou que abrirá uma investigação com base na Seção 301 de sua legislação comercial, que permite a adoção de medidas contra países considerados desleais em suas práticas comerciais. A condução da análise ficará a cargo do Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Em resposta inicial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Brasília para prestar esclarecimentos, sinalizando uma reação diplomática em andamento. O episódio marca um novo ponto de tensão nas relações bilaterais e pode ter impactos relevantes nas áreas econômica e diplomática.