Onça que havia sido encontrada ferida à deriva no Rio Negro, no Amazonas, volta à natureza após 40 dias de reabilitação

Durante o período de reabilitação, veterinários, biólogos, pesquisadores e equipes técnicas monitoraram a evolução clínica e comportamental do animal.

Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet

A onça-pintada que havia sido encontrada ferida e à deriva no Rio Negro, no Amazonas, voltou ao ambiente natural após 40 dias de reabilitação. O resgate ocorreu em 1º de outubro, quando o animal foi avistado por passageiros de uma embarcação e posteriormente capturado por equipes da Secretaria Executiva de Proteção da Amazônia (Sepet-AM), do Batalhão Ambiental da Polícia Militar (BPAMB), do Laboratório de Fauna da Ufam (Laiff/Ufam) e de técnicos ambientais que auxiliaram na operação.

Após o resgate inicial, o felino foi encaminhado para atendimentos emergenciais e, com autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), transferido para o Zoológico do Tropical Hotel, onde recebeu cuidados contínuos. Exames revelaram que a onça havia sido atingida por disparo de arma de caça, apresentando mais de 30 estilhaços no rosto, cabeça e pescoço, além de sinais de exaustão após horas nadando no rio.

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Durante o período de reabilitação, veterinários, biólogos, pesquisadores e equipes técnicas monitoraram a evolução clínica e comportamental do animal. O trabalho conjunto envolveu manejo especializado, controle de ferimentos, readaptação gradual e observação das respostas naturais de defesa e deslocamento, essenciais para avaliar sua capacidade de retorno à vida selvagem.

No dia 4 de novembro, antes da soltura, a onça passou por novos exames e recebeu uma coleira de radiomonitoramento cedida pelo Instituto Onça-Pintada (IOP), sediado em Goiás. O equipamento permite o envio de dados por satélite sobre a movimentação do felino, possibilitando acompanhamento científico contínuo e contribuindo para ações de conservação da espécie Panthera onca na Amazônia.

A reintrodução ocorreu em uma área de mata preservada na margem direita do Rio Negro, tecnicamente selecionada para garantir segurança ao animal e para evitar interação com comunidades ribeirinhas. A operação, coordenada pela Sepet-AM, envolveu deslocamento por helicóptero até Novo Airão e transporte fluvial até o ponto de soltura, onde as equipes chegaram a montar acampamento para monitorar cada etapa do processo.

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De acordo com os responsáveis pela ação, a libertação bem-sucedida representa um marco para a proteção da fauna amazônica. O caso reforça a importância do combate à caça ilegal, evidencia a eficiência do trabalho colaborativo entre instituições ambientais e demonstra que intervenções rápidas e especializadas podem garantir a recuperação e o retorno seguro de grandes felinos ao habitat natural.

Confira o vídeo:

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