Ministro Gilmar Mendes comenta sanções dos EUA e impacto da Lei Magnitsky no STF

A Lei Magnitsky, que fundamenta as sanções, permite ao governo americano aplicar penalidades econômicas severas a indivíduos acusados de violações graves dos direitos humanos.

Andressa Anholete / STF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (12/8) que os magistrados da Corte têm discutido internamente as possíveis consequências da aplicação das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, por meio da chamada Lei Magnitsky. Até o momento, o principal alvo das penalidades é o ministro Alexandre de Moraes, mas outros integrantes do STF estariam na mira das autoridades norte-americanas.

Durante evento da Esfera Brasil, em Brasília, Gilmar Mendes esclareceu que as conversas entre os ministros têm se limitado ao debate sobre os impactos dessas restrições e a análise de como outras nações têm lidado com situações semelhantes. “Temos conversado sobre eventuais consequências dessas medidas restritivas e de como outros países têm lidado com elas. Somente isso. No mais, não nos compete”, disse o decano ao ser questionado por jornalistas.

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As sanções foram anunciadas em julho deste ano como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), investigado por suposta tentativa de golpe contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O governo Trump suspendeu vistos americanos do ministro Moraes e de aliados próximos, além de bloquear a possibilidade de entrada em território dos EUA para outros sete membros da Corte, embora o comunicado oficial tenha detalhado somente o caso do relator da ação penal.

A Lei Magnitsky, que fundamenta as sanções, permite ao governo americano aplicar penalidades econômicas severas a indivíduos acusados de violações graves dos direitos humanos. Entre as punições previstas, estão o congelamento de bens e contas bancárias em território norte-americano, o que impede o ministro Moraes de movimentar ou vender imóveis registrados em seu nome nos Estados Unidos.

Além disso, as medidas proíbem Moraes de realizar negócios ou firmar contratos com cidadãos e empresas americanas, restringindo sua atuação financeira internacional. Ainda há discussões sobre a forma como essas sanções serão implementadas dentro do Brasil, especialmente pelas instituições bancárias e financeiras locais.

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O tema segue sendo acompanhado com atenção pelo STF e pelo governo brasileiro, que avaliam os desdobramentos legais e diplomáticos dessa situação. Até o momento, o tribunal não divulgou qualquer manifestação oficial sobre o assunto, mas os ministros reforçam o compromisso com a independência do Judiciário diante das pressões externas.