
Bruno Peres/Agência Bras
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta terça-feira (3) o vídeo do depoimento do ex-ministro Aldo Rebelo, prestado no processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Durante o depoimento, o ministro Alexandre de Moraes advertiu Rebelo e mencionou a possibilidade de prisão por desacato, após uma divergência quanto à forma como a testemunha respondeu a uma pergunta.
Rebelo foi questionado se o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, teria colocado tropas à disposição de Bolsonaro durante o período investigado. Em sua resposta, o ex-ministro argumentou que a expressão “estar à disposição” deveria ser compreendida como uma figura de linguagem, dentro do contexto da língua portuguesa, e não de forma literal.
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O ministro Moraes interrompeu a fala e questionou se Rebelo havia participado da reunião em que Garnier teria utilizado a expressão mencionada. Diante da negativa, o magistrado afirmou que o ex-ministro deveria se limitar aos fatos e advertiu: “Se o senhor não se comportar, o senhor será preso por desacato”.
Rebelo respondeu dizendo que sua interpretação da linguagem era pessoal e que não admitia censura. Moraes, então, reiterou que a função da testemunha era responder de maneira objetiva às perguntas, sem atribuições de valor ou interpretações pessoais, embora com liberdade para elaborar tecnicamente as respostas.
Aldo Rebelo atuou como ministro da Defesa entre 2015 e 2016, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Durante esse período, trabalhou com Almir Garnier, que foi assessor especial militar do Ministério da Defesa por cerca de dois anos e meio. A divulgação do vídeo reforça o clima de seriedade e rigor nas investigações conduzidas pela Suprema Corte.
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