Aloizio Mercadante propõe taxação das apostas esportivas como alternativa fiscal para reduzir impacto do aumento do IOF

A proposta foi apresentada durante um evento sobre a indústria brasileira, realizado no Rio de Janeiro.

NELSON ALMEIDA / AFP

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, sugeriu nesta segunda-feira (26) a elevação dos impostos sobre as apostas esportivas, conhecidas como “bets”, como alternativa para reduzir os efeitos do recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e fortalecer a arrecadação federal. A proposta foi apresentada durante um evento sobre a indústria brasileira, realizado no Rio de Janeiro.

Mercadante afirmou que, diante das críticas ao ajuste fiscal, é necessário apresentar soluções concretas. “O ministro Fernando Haddad tem a responsabilidade de entregar o orçamento fiscal. Então, tem que apontar qual é a alternativa. Eu já faço uma sugestão pública aqui: vamos aumentar os impostos das bets, que estão corroendo as finanças populares. Com isso, poderíamos diminuir o impacto do IOF”, disse.

Continua depois da Publicidade

O presidente do BNDES destacou que a medida não apenas ajudaria a aliviar a carga tributária sobre o crédito, mas também teria um caráter social, ao conter a expansão das apostas esportivas, que afetam principalmente as camadas mais vulneráveis da população.

Na última semana, o governo federal anunciou o aumento da alíquota do IOF sobre operações de crédito para empresas, que subiu de 1,88% para 3,95% ao ano. Outras medidas relacionadas ao imposto foram revistas, incluindo a taxação sobre compra de moeda estrangeira e remessas ao exterior.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também presente no evento, informou que o governo deve decidir até o fim da semana como compensar as revisões nas alíquotas inicialmente previstas. Entre as opções estão novos contingenciamentos ou outras formas de arrecadação.

Continua depois da Publicidade

Mercadante ressaltou que o aumento do IOF, junto com a estabilização do dólar, cria condições para que o Banco Central realize uma redução gradual e sustentável da taxa básica de juros (Selic). Haddad, por sua vez, minimizou as críticas ao encarecimento do crédito, afirmando que a medida é compreendida pelo setor empresarial diante da necessidade do ajuste fiscal e da política monetária para retomar o crescimento econômico.