
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma desde a última terça-feira (29/7), participou de audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (1º/8) e permanece detida no Instituto Penitenciário de Rebibbia, enquanto aguarda o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. Inicialmente, a parlamentar havia ameaçado iniciar uma greve de fome durante sua detenção, conforme informaram seus advogados, mas desistiu da medida após a audiência.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 17 de maio de 2025, a 10 anos e 8 meses de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático qualificado e falsidade ideológica, em decorrência da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. Além da pena de prisão, ela e o hacker Walter Delgatti Neto devem pagar uma indenização solidária de R$ 2 milhões.
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Após a condenação, a deputada deixou o Brasil no dia 25 de maio, cruzando a fronteira pela Argentina e seguindo para a Itália. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu sua prisão preventiva diante do risco que sua fuga representava para a segurança dos sistemas do Judiciário. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou ainda a inclusão de Zambelli na lista de procurados da Interpol.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que está tomando todas as providências para garantir a extradição da parlamentar, para que ela possa cumprir sua pena no Brasil. A defesa de Zambelli, que mudou após sua saída do país, alega cerceamento de defesa devido à falta de acesso integral às provas do processo, que incluem mais de 700 gigabytes de dados.
O STF também decidiu pela perda do mandato da deputada, que será confirmada após o trânsito em julgado da sentença, quando não haverá mais possibilidade de recurso. O caso é um dos mais relevantes desdobramentos das investigações sobre ataques cibernéticos contra instituições brasileiras e o uso político de informações falsas.