Donald Trump discute com presidente do Banco Central dos EUA sobre custo de reforma e clima fica tenso diante da mídia em Washington

A discussão ocorreu enquanto os dois vistoriavam o local com capacetes de segurança, acompanhados da imprensa.

Durante uma visita oficial às obras de reforma da sede do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o presidente da instituição, Jerome Powell, protagonizaram um momento de tensão pública. A visita ocorreu na última quinta-feira (24/7), em Washington, e fez parte da agenda institucional do governo. A divergência entre os dois surgiu durante uma conversa sobre o custo total da reforma, diante de jornalistas e câmeras de televisão.

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Trump afirmou que os gastos com a reforma teriam atingido a cifra de US$ 3,1 bilhões, valor que, segundo ele, representa um aumento significativo em relação ao previsto inicialmente. Ele chegou a insinuar que o orçamento poderia estar inflado e comparou o caso a uma possível fraude. Ao ouvir a declaração, Powell reagiu com visível desconforto, fechando os olhos e balançando a cabeça negativamente. Questionado, respondeu que desconhecia essa estimativa e que o valor citado por Trump incluía obras realizadas anteriormente em outro prédio, o Edifício Martin, que teria sido reformado há cerca de cinco anos.

A discussão ocorreu enquanto os dois vistoriavam o local com capacetes de segurança, acompanhados da imprensa. Em um momento, Trump entregou um papel com os números ao presidente do Fed, que respondeu de forma firme que aquele edifício não fazia parte das obras em andamento. A situação criou um clima constrangedor, reforçando a tensão política e institucional entre os dois, que têm tido desentendimentos públicos recorrentes nos últimos meses, especialmente sobre a condução da política monetária.

Nos últimos dias, Trump tem intensificado críticas a Powell por não ter reduzido as taxas de juros, que permanecem estáveis mesmo diante de pressões do Executivo. Segundo o presidente norte-americano, os juros altos estariam dificultando o acesso da população a financiamentos, como a compra da casa própria. Ele chegou a dizer que Powell “sempre age tarde” e que mantém os juros elevados por “motivações políticas”, acirrando ainda mais a relação entre a Casa Branca e o Fed.

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Apesar do episódio, Trump negou em coletiva que tenha havido tensão e afirmou acreditar que Powell “fará o correto”. Ainda assim, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que uma auditoria será realizada na instituição, medida que reforça a suspeita do governo de que há falhas nos gastos públicos. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Fed está marcada para os dias 29 e 30 de julho e deve manter os holofotes sobre a relação conturbada entre Trump e Powell.