
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (9/6) e comentou a respeito dos áudios em que aparece fazendo críticas ao próprio acordo de colaboração premiada. Ele afirmou que as gravações ocorreram em um contexto de fragilidade emocional e não tinham caráter oficial ou acusatório.
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Durante o interrogatório, Cid relatou que, à época, atravessava um período difícil ao lado da família, agravado por vazamentos de mensagens pessoais de sua filha, exposição de imagens privadas na imprensa e sérios prejuízos à sua vida profissional e financeira. Segundo ele, essas circunstâncias provocaram um forte abalo psicológico, motivando o envio dos áudios a amigos próximos como forma de desabafo.
O militar explicou que as críticas presentes nas mensagens se dirigiam a diversas figuras públicas, como generais e políticos, e que suas declarações não refletiam acusações formais. Cid também disse desconhecer a forma como os áudios chegaram ao conhecimento da imprensa e, em especial, à revista Veja, responsável pela publicação do conteúdo.
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Cid reforçou que, em nenhum momento, sofreu pressão por parte da Polícia Federal para firmar o acordo de delação. Conforme declarou, sua adesão foi voluntária e consciente, ainda que houvesse divergências entre sua narrativa e as linhas de apuração da investigação conduzida pelos agentes.
O depoimento de Mauro Cid faz parte das oitivas realizadas pelo STF no processo que apura uma possível articulação para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. O militar é considerado uma testemunha central, por ter participado diretamente da rotina e decisões do ex-presidente durante o período investigado.