Empresa de alvo da PF fatura R$ 95 milhões em 4 anos de contrato com a Semed

Contrato para serviços de logística com a Semed, desde 2017, vai render render ao empresário Francisco Sampaio Neves, o “Chaguinha”, mais de R$ 95 milhões dos cofres públicos.

Portal Soberano

O empresário, Francisco Sampaio Neves, conhecido como “Chaguinha”, ligado ao ex-governador do Amazonas José Melo, cassado em 2017 por compra de votos, vai chegar a um faturamento total de R$ 95.878.555,20 após quatro anos de contrato da empresa dele, KINGLOG Transportes Multimodais Ltda, com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) recebendo anualmente desde 2017 o montante de R$ 23.969.638,80.

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Desde de 2015, as empresas de Chaguinha são responsáveis pelos milionários contratos de logística da Semed. O primeiro, oriundo de pregão presencial de 2014, foi firmado com a Aliança Serviços de Edificações e Transporte Ltda no valor de R$ 23,5 milhões com duração de 12 meses. No período de 2015 a 2017, a transportadora recebeu R$ 70 milhões da Semed de um total de R$ 78,5 milhões empenhados por conta de aditivo.

Em 2017, a secretaria trocou a empresa Aliança pela Kinglog Transportes, comandada por Chaguinha e pelo filho dele, Pedro Saulo Sampaio. O contrato para serviços de logística, pelo período de um ano, totalizou R$ 23,9 milhões e foi firmado no dia 1º de junho daquele ano.

Esse contrato já foi renovado quatro vezes, e a mais recente em junho deste ano pelo titular da Semed, Pauderney Avelino (DEM). Em cada ano, os trabalhos custaram mais R$ 23,9 milhões aos cofres públicos. Pela soma, a Semed pagará um total de R$ 95.878.555,20 com o serviço de “logística englobando organização, processamento físico das atividades de recebimento, armazenagem, movimentação, expedição e distribuição dos materiais desta secretaria (mobiliária, material de expediente e limpeza, livros didáticos, uniformes, material esportivo, merenda, incluindo gêneros da agricultura familiar e utensílios de cozinha) através de caminhão baú refrigerado e barcos (voltados para distribuição de materiais para escolas municipais localizadas nas áreas ribeirinhas de Manaus)”.

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O montante milionário vem sendo pago mensalmente a Chaguinha e o filho dele, o empresário Pedro Saulo da Silva Sampaio, donos da KINGLONG Transportes Multimodais Ltda. De acordo com o cadastro de CNPJ da empresa (26.002.003/0001-58) no site da Receita Federal, o estabelecimento possui um capital social de R$ 6 milhões.

Funcionando desde 2016, a empresa tem como principal atividade econômica o serviço de ‘operador de transporte multimodal – OTM’, além de outros 20 serviços secundários envolvendo transporte rodoviário, por navegação e de carga. O estabelecimento fica localizado no bairro Flores, zona centro-sul de Manaus.

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Investigado

Alvo de investigação da Polícia Federal (PF) em 2016, ‘Chaguinha’ foi apontado, na época, como o operador de um esquema de corrupção para eleger Melo, em 2014. Segundo relatório da PF, a empresa dele Aliança Serviços de Edificações e Transportes Ltda. – que doou R$ 600 mil, via comitê estadual, para a campanha eleitoral de reeleição do governador do Amazonas, José Melo (PROS) – multiplicou por dez o faturamento anual na Secretaria de Estado de Educação (Seduc). De 2010 até 2014, a empresa teria recebido R$ 180.843.071,30.

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De acordo com relatório do delegado federal Franco Perazzoni, ‘Chaguinha’ utilizou a empresa Aliança para financiar esquema de compra de votos. “Chaguinha também é tesoureiro do PROS, cujo presidente regional é o governador José Melo. Durante o período interceptado, Chaguinha fez articulações políticas com diversos alvos como Paraná (ex-vereador em Manacapuru Anderson José Rasori), Coronel Frota (ex-comandante da Polícia Militar do Amazonas Marcus Frota), Coronel Berilo (Berilo Bernandino de Oliveira), Dr. Tancredo (Tancredo Castro Soares), inclusive de mostra bem próximo do governador José Melo. Por seu turno, o Dr. Tancredo se mostrou bastante próximo de Chaguinha nas questões relacionadas à empresa e às lideranças no apoio á reeleição do governador José Melo, articulando com outras alvos desta operação”, diz trecho do relatório.

Em 2017, Chaguinha, foi um dos arrolados na Operação Custo Político, segunda fase da Operação Maus Caminhos, que investigou desvio de cerca de R$ 110 milhões de verbas da Secretaria Estadual de Saúde (Susam).

*Com informações do Portal AM POST